terça-feira, 10 de junho de 2008

A ÉTICA DO JORNALISMO DISCUTIDA NO CINEMA


AUSÊNCIA DE MALÍCIA
ABSENCE OF MALICE (1981)

O filme “Ausência de Malícia” (Absence of Malice, 1981, EUA), propõe uma reflexão sobre o poder da imprensa relacionada com informações mal apuradas, e as conseqüências catastróficas de atitudes impensantes dos jornalistas. Esse longa é um drama de 116 minutos produzidos pela Columbia Pictures Corporation e Mirage Productions que juntas proporcionaram uma ótima qualidade digital e além de uma completa interatividade através dos extras e apresentações especiais.Dirigido por Sydney Pollack e retratado através de dois grandes atores nortes-americanos, Paul Newman e Sally Field o filme enfatisa a relação repórter e fonte, que em busca do furo de reportagem, esses comunicadores extrapolam um objeto crucial: a verdade.A jornalista Megan Carter (Sally Field) obtém a informação, propositalmente dada pelos policiais, de que o empresário Michael Gallagher (Paul Newman) era o principal suspeito pelo desaparecimento de um líder sindical. Antes de ouvir a versão de Gallagher, ela divulga a notícia, visando o furo. Inocente, mas com o nome denegrido, o empresário procura a repórter, cobrando-lhe explicações.No jornal, Michael Gallagher questiona à jornalista se eles sempre colocam o nome de suspeitos no jornal, após a confirmação de Megan Carter, o empresário novamente a questiona, se eles também publicam uma matéria ou uma nota quando descobrem que o suspeito era inocente. A jornalista com o semblante assustado responde que não, com a justificativa de que os oficiais não avisam a redação quando acabam as investigações. Essas questões estão presentes no início e o no final do filme, quando a imprensa divulga que o empresário era inocente, apesar de já ter denegrido o nome da sua empresa, e causado irreparáveis danos na sua vida.No desenrolar do drama, a jornalista é convidada pelo empresário várias vezes a se encontrar em restaurantes com o propósito de conhecê-lo melhor, nesse clima de arrependimento, Megan se envolve emocionalmente com o Gallagher, surgi então outro assunto polêmico, o envolvimento entre repórter e fonte. Aparece de maneira sublime no filme esse tema, mais notamos que a jornalista Megan passa por um dilema: o risco de prejudicar seu caso amoroso com o empresário Michael Gallagher, ou ocultar informações que auxiliem a polícia.Há uma subversão de valores, até porque o papel do profissional é justamente divulgar o que lhe apresentam como "oculto". É bom destacar mais uma falha primária que é publicar informações que foram concedidas em "off", isto acaba gerando um clima de desconfiança com a fonte em questão. E como gancho tem-se o suicídio de Tereza Perrone (Melinda Dilon), amiga de Michael Gallagher, que ao contar um segredo numa conversa em off, relata que estava com Gallagher no dia do desaparecimento da vítima. Solicitando que não fosse publicado, pois perderia seu emprego numa escola católica onde trabalhava, além de ter um pai muito rígido, ela conta que estava fazendo um aborto, acompanhada pelo acusado. Sem respeitar o pedido, a jornalista além de noticiar o relato não omitiu o nome da fonte, o que provocou o suicídio da mesma.Enfim, “Ausência de Malícia” expõe o trabalho diário do jornalista, revelando suas relações dentro e fora da profissão, sob o ponto de vista de questões éticas. Dessa forma, torna-se quase um manual do que não deve ser feito, tomando como base Megan Carter que, ao desenrolar dos acontecimentos, toma consciência de tudo: “Não foi o trabalho, fui eu que errei”. Mas não podemos culpar totalmente esses profissionais, cuja maioria batalha por um espaço. Lutar por um jornalismo mais sério é nossa obrigação, mas isso deve ser feito em conjunto, equipe. Acreditar no jornalista é nosso dever, assim como desejar a verdade, imparcialidade, objetividade para pagarmos nossas contas.