terça-feira, 10 de junho de 2008

A malícia no Jornalismo Investigativo

Link do Trailler Ausência de Malícia: http://www.youtube.com/v/nBC0e-w_zNE&hl=pt-br
"Errar é humano". Quem já não escutou essa frase? No jornalismo "errar" pode representar o fim de uma carreira, ou fechamento das portas do mercado de trabalho. Por isso a responsabilidade de veicular informação torna o jornalista o portador de um dos bens mais preciosos, chamado: notícia. Parece-me uma definição bem simplista, embora o profissional tenha nas mãos o poder de manipular a informação beneficiando uma das partes envolvidas.
No filme "Ausência de Malícia" propõe uma reflexão sobre o comportamento do repórter em determinadas apurações, principalmente pela busca incessante do furo de reportagem. A grande tônica é a relação fonte x repórter, que muitos casos extrapolam um objetivo crucial: a verdade. No desenrolar do drama, notamos que a jornalista Megan passa por um dilema: o risco de prejudicar seu caso amoroso com o empresário Michael Gallagher (principal fonte), ora ocultar informações que auxiliem a polícia. Há uma subversão de valores, até porque o papel do profissional é justamente divulgar o que lhe apresentam como "oculto". Destaco mais uma falha primária, publicar informações que foram concedidas em "off", isto acaba gerando um clima de desconfiança com a fonte em questão.
A credibilidade deve estar presente no cotidiano do repórter, e para que um veículo de comunicação passe confiança ao leitor se faz necessário levar em consideração alguns fundamentais conceitos jornalísticos: "lei dos dois lados", rechecagem e pesquisa. Para que se tenha uma boa matéria baseada na coerência dos fatos, necessitamos cumprir pelo menos os referidos aspectos.
No jornalismo investigativo o olhar deve ser o mais desconfiado possível, temos o dever da "desconfiança". E foi justamente a ausência de malícia que provocou um embaraço na vida da protagonista. Infelizmente os jornalistas convivem com a iminência de serem perseguidos, seja pela sociedade ou reféns de suas próprias fontes. Afinal, o compromisso com a verdade custa caro e muitas vezes é pago com a própria vida.